17/10/2018

Reciclagem No Brasil: Panorama Atual E Desafios Para O Futuro

Por: Daniela Soares Amaral – Discente do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária; Elisangela Ronconi Rodrigues – Docente do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária.

De acordo com dados da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), em 2016 a média de produção de lixo per capta no Brasil era de 1kg/dia. Considerando que somos quase 208 milhões de habitantes, conforme estimativa do IBGE (2017), é possível ter uma noção da quantidade de “lixo” que é gerada anualmente em todo o Brasil. Só em 2016, foram mais de 78 milhões de toneladas. Entretanto, não temos dimensão do problema que isso representa, uma vez que com a coleta pública de resíduos, que na maioria das cidades ocorre, no mínimo, três vezes por semana, é muito simples conviver com essa realidade. Afinal a partir do momento que o lixo sai da nossa vista a gente não se preocupa mais com a destinação final desse material.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/2010) determina que todo material produzido pelas atividades domésticas e comerciais que serão possíveis de coleta pelos serviços de limpeza pública, deve ser encaminhado para destinação final apenas quando não é possível seu reaproveitamento, seja por meio da reciclagem, da reutilização, da compostagem ou da geração de energia. Quando não existir tecnologias viáveis os resíduos devem ser destinados a aterros sanitários. Entretanto, do volume produzido em 2016, quase 30 milhões de toneladas não tiveram a destinação adequada, o que representa um percentual de 41,6% do total gerado, o que transforma os resíduos sólidos em um grave problema ambiental, pois o descarte inadequado pode carregar esse material para os córregos e rios e consequentemente, alcança os oceanos, além da problemática dos lixões, os impactos na saúde pública dentre outros efeitos negativos.

De acordo com a definição do Ministério do Meio Ambiente, reciclagem é um conjunto de técnicas de reaproveitamento de materiais descartados, reintroduzindo-os no ciclo produtivo. De todo lixo produzido no Brasil, 30% tem potencial para ser reciclado, porém apenas 3% deste total é efetivamente reciclado. A reciclagem é uma excelente alternativa para a problemática de resíduos sólidos urbanos, alcançando a esfera ambiental, o âmbito social e o desenvolvimento econômico.

Dentre os materiais possíveis de reciclagem encontrados nos resíduos sólidos urbanos se destacam o papel, o vidro, os plásticos e o metal, principalmente o alumínio que representa o maior percentual de reciclagem no país: cerca de 97,9% deste resíduo é reciclado, mantendo a liderança mundial nas atividades de reciclagem seguido pelo Japão com 77,1% e Estados Unidos com 64,3% Isso ocorre porque o valor de mercado do alumínio é mais significativo que os demais materiais. Em contrapartida, é possível constatar que as empresas produtoras das embalagens de alumínio transferem sua responsabilidade para os catadores informais e depois se beneficiam deste resultado tão significativo e impactante. A reciclagem do papel apresenta o segundo maior índice de reciclagem, conforme dados da Associação Nacional dos Aparistas de Papel, que atinge 63,4%.

Apesar da possibilidade de reciclagem e do alto impacto ambiental, principalmente nos oceanos, o plástico apresenta a maior dificuldade da reciclagem devido ao baixo valor agregado e a expressiva quantidade de resíduos necessária para a obtenção de lucro. Se o plástico descartado fosse reciclado, seria possível retornar cerca de R$ 5,7 bilhões para a economia, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb). Dos diversos tipos de plásticos produzidos no Brasil, o PET é o que apresenta o maior índice de reciclagem, chegando a 51% do total produzido. Entretanto, o volume de plástico produzido no Brasil é muito expressivo para o baixo índice de reciclagem deste produto: 13,5% do total de resíduos produzidos anualmente no país são de plásticos, o equivalente a 10,5 milhões de toneladas. Além de ser um material produzido a partir de derivados do petróleo, agravando o problema das mudanças climáticas, sua decomposição pode levar séculos, permanecendo por esse período no ambiente, causando diversos impactos. Assim, a melhor alternativa para reduzir os danos causados por este material é a redução de seu consumo, como já vem sendo feito em diversos países que proíbem ou inibem o uso de copos descartáveis, canudos, embalagens com envoltórios plásticos, etc.

O vidro, apesar de ser um material 100% reciclável, os dados sobre reciclagem deste material no país são imprecisos e variam entre 45% a 49% de índice de reciclagem. O baixo custo de produção a partir da matéria-prima e o baixo valor agregado deste produto para os catadores e cooperativas de reciclagem, tornam o vidro um material com pouco investimento que incentivam sua reciclagem, havendo mais iniciativas de reaproveitamento do material, o que ainda é inexpressivo diante da quantidade produzida anualmente.

É importante ressaltar apenas 22 milhões de brasileiros são contemplados por programas municipais de coleta seletiva, o que representa 18% da população, o que demonstra uma grande barreira para que a reciclagem seja efetiva no Brasil. Além de mais políticas públicas para favorecer a reciclagem, é necessário incentivo e esclarecimento da população sobre os impactos resultantes do descarte incorreto. Se cada habitante individualmente assumir a responsabilidade pela destinação de seus resíduos, o Brasil vai atingir outro patamar mundial no âmbito da reciclagem. O meio ambiente agradece.


Página atualizada em 17/10/2018 às 19h15