5 de Março

Tire suas dúvidas sobre a febre amarela

Diante da grande repercussão sobre a propagação da febre amarela, surgem muitas dúvidas de sua origem, como acontece a transmissão do vírus e como podemos nos prevenir.

Para ajudar a esclarecer a questão, a Professora Janaina Dina Toreli, coordenadora do curso de Pós-Graduação em Análises Clínicas da FMU, comenta os principais tópicos que envolvem a doença.

Segundo a docente, a febre amarela é causada por um arbovírus, ou seja, por um vírus que tem como transmissor um mosquito. “O mosquito causador da febre amarela silvestre é da espécie Haemagogus, o qual se alimenta de sangue. O vírus da febre amarela é um Flavivírus sendo que Flavi significa amarelo. Para que a transmissão viral ocorra, deve haver um hospedeiro com níveis significativos do vírus na circulação”, destaca Janaina que complementa dizendo que ao alimentar-se sugando o sangue, o mosquito ingere o vírus e ao picar um indivíduo o contamina.

Janaina ressalta que a febre amarela é uma doença grave. “O vírus multiplica-se dentro de células de órgãos nobres como fígado, rins e coração, dentre outros. Os sintomas iniciais são o que se vê no confronto entre o vírus e o mecanismo de defesa, podendo surgir febre, cefaleia, dores musculares, entre outros sintomas”, comenta a professora. Ela destaca que a multiplicação viral e a invasão de tecidos, como fígado, rins e coração, levam à morte das células deles. “Na tentativa de defender o organismo, podem ambos os mecanismos levar à falência dos órgãos”.

De acordo com a docente, não há um tratamento específico para a doença.  “A prevenção por meio da vacinação, o impedimento do desenvolvimento do mosquito e as consultas de rotina, junto com o exame de sorologia – capaz de detectar presença de anticorpos contra o vírus no sangue humano em fases distintas da doença – se tornam os métodos mais eficazes para prevenção”, elenca Janaina.

Quanto à vacina, a docente comenta que o vírus atenuado exige do organismo de quem a recebe resposta imune competente. “Nesse sentido, cabem avaliações sobre o estado imunológico. Além de idades de maior fragilidade imunológica, como idosos e crianças, é preciso avaliar o histórico de saúde do indivíduo a ser vacinado, a fim de que a relação entre a provocação feita pela vacina e a resposta dada pelo sistema imunológico seja de fato capaz de imunizar sem riscos à saúde”, reitera. Já sobre a polêmica envolvendo a associação da doença aos macacos, Janaina esclarece: “Hoje consideramos que o adoecimento e a morte desses animais decorrente de febre amarela servem aos habitantes das cidades como sentinela, pois, avisam-nos sobre a presença de mosquito infectado nas proximidades”. Um dos profissionais fundamentais na descoberta, tratamento e acompanhamento da doença é o especialista em Análises Clínicas. “Na fase inicial da febre amarela, onde a inespecificidade dos sintomas são uma realidade, as pesquisas de sorologia e biologia molecular são ferramentas essenciais para que se chegue ao diagnóstico preciso”, ressalta a docente. A verificação da evolução do quadro do paciente também depende de importantes exames analisados por esse profissional. “Bilirrubina, Enzimas hepáticas (TGO, TGP, GGT), dosagem da proteína Albumina, dosagem de Amônia (nos casos críticos), Ureia, Creatinina, Sódio, Potássio, provas de Coagulação, Hemograma, dentre muitos outros fazem parte da rotina diária do trabalho desses especialistas”.

Segundo a professora, o papel do especialista em Análises Clínicas é trazer a certeza do diagnóstico, impedindo erros nos tratamentos e acompanhando as evoluções clínicas. E você, profissional da saúde, pode dominar esses e outros importantes conhecimentos com a Especialização em Análises Clínicas do Complexo Educacional FMU. Conheça mais sobre o curso.

Link para o curso:

http://portal.fmu.br/pos-graduacao/cursos/analises-clinicas-e-interpretacao-de-diagnostico-laboratorial/