27/09/2007

Prefeito Gilberto Kassab


Palestra no Seminário de Engenharia FMU

Em minha formação de engenheiro, aprendi que a obra mais cara é a obra inacabada. Na Prefeitura de São Paulo, coloco em prática esse ensinamento, ao incluir entre as prioridades a conclusão de duas obras deixadas por administrações anteriores.

Uma dessa obras é o antigo Fura-fila, que requalificamos para se tornar o maior corredor de ônibus desta cidade, com 40 quilômetros.

Vejam só: é quase uma maratona completa, ara unir o extremo da Zona Leste, a Cidade Tiradentes, com o centro. Este é um corredor que faz todo sentido para o conforto e o melhor desempenho do cidadão paulistano: vai reduzir em uma hora o percurso dessa população humilde, que mora em um bairro que não oferece empregos a seus moradores, que precisa se deslocar para o seu trabalho de cada dia.

Outra grande obra inacabada eu vamos concluir é a primeira Ponte Estaiada do Brasil, parte da ligação metroviária Campo Limpo/Santo Amaro, trecho Santo Amaro. Essa ponte é composta de 34 estais em um único plano central, superestrutura em “caixão” unicelular de concreto protendido, onde se situam as vias metroviárias, com vão principal em balanços sucessivos de 122m.

Conseguimos verbas para essas grandes obras, porque temos consciência de que custariam muito mais, permanecendo inacabadas.
Preferimos concentrar nossas ações no que estamos chamando de pequenas grandes obras, aquelas de custo menor e execução mais rápida, com proveito direto para a população. O recapeamento de ruas e avenidas é um exemplo dessas pequenas grandes obras. São trechos curtos, de poucos quilômetros, que recapeamos a cada dia. No total, temos já 640 quilômetros de vias recapeadas na cidade de São Paulo. É mais que a soma do que foi feito pelos prefeitos e prefeitas da cidade nos últimos 20 anos.

Nossa preocupação maior é com a pobreza, com a desigualdade social que cabe a todos nós, brasileiros, erradicar. Tomo por referência a situação mais ostensivamente deplorável que se vê nos cruzamentos de maior movimento das principais cidades brasileiras: crianças e adolescentes que pedem esmolas improvisam malabarismos, vendem bugigangas e guloseimas, limpam pára-brisas e prestam outros pequenos serviços para ganhar uns trocados.

Temos já um diagnóstico dessa situação. Por encomenda da Prefeitura, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) acaba de publicar o primeiro Censo de Crianças e Adolescentes em situação de rua na Cidade de São Paulo. Foram identificados e caracterizados 1.842 crianças e adolescentes em 538 pontos localizados em 28 das 31 subprefeituras da cidade. a grande maioria não estuda (54,5%), vai para as ruas pelo menos cinco vezes por semana (82,6%), volta para cada à noite (49,6%) e, na rua, exerce alguma atividade geradora de renda (54%). O tempo médio de permanência nas ruas é de três anos – um período enorme para uma criança, o que compromete o seu desenvolvimento.

Diante dos fatos, fica claro que quem dá dinheiro ou compra produtos de crianças e adolescentes nas ruas estão contribuindo com a exploração do trabalho infantil e com a indústria da miséria, que movimento R$25 milhões por ano, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Os paulistanos devem abrir os olhos para o impacto da esmola na vida desses trabalhadores precoces e pôr fim ao vício do assistencialismo, do clientelismo, da caridade e do voluntarismo.

Temos que ajudar a aperfeiçoar nossa rede de 759 convênios com mais de 350 ONGS, que realizam 175 mil atendimentos mensais. São 300 agentes de proteção social, que realizam trabalho de abordagem nas ruas, 14 Centros de Referência e da Adolescência, 50 abrigos, 4 Casas de Acolhida e 401 Núcleos Socioeducativos. Isso sem esquecer os programas de transferência de renda, como Bolsa Família, Renda Cidadã, Renda Mínima, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.

É motivo de orgulho para todos nós, desta administração, podemos afirmar que ao final de quatro anos teremos construído 150 escolas, em números redondos. Serão 70 escolas novas, 23 CEUS, além de salas novas em 300 escolas. Serão 54 escolas de alvenaria para acabar com a vergonha das escolas de lata, que se eternizavam sem solução e que foram a primeira prioridade esta administração. Construímos também cerca de 250 salas de alvenaria para substituir as salas de lata.

Ainda em nome de um ensino de qualidade na rede municipal, trabalhos para acabar com o chamado “turno da fome”, o terceiro turno, encaixado no horário do almoço. Essa será a pequena grande obra desta administração: condições para que nossas crianças recebam uma educação melhor, para assim garantirem um futuro melhor para si e para o Brasil.

Considero exemplar, igualmente, a decisão firme desta administração de não aumentar impostos nem criar taxas. Eliminamos a taxa do lixo. Acabamos com o absurdo que era cobrar taxa de iluminação em ruas onde não havia iluminação. Escolhemos o caminho de gastar menos, negociar mais, fiscalizar melhor, utilizar a tecnologia mais avançada em proveito da eficiência. Sem aumentar a carga tributária municipal – pelo contrário, diminuindo significamente -, conseguimos aumentar a arrecadação.

Depois de 17 anos, inauguramos o primeiro hospital municipal de São Paulo, o de Cidade Tiradentes. Até o fim do ano ficará pronta a obra do hospital do M`Boi Mirim, que no começo do ano que vem será equipado e inaugurado. Fora isso, estamos reformando as Unidades Básicas e Saúde e os hospitais existentes.

Na área da Saúde, a grande contribuição desta administração é a criação das AMAs, postos de saúde mais sofisticados do que os normais, que atendem casos de pequena gravidade que antes congestionavam os prontos socorros dos hospitais. Já entregamos 51 AMA em diferentes pontos da cidade. Serão 100 AMAs até o fim desta administração.

Não temos grandes obras para mostrar, porque preferimos investir na educação, corrigir os erros que se acumularam na saúde, enfrentar problemas crônicos como a proliferação dos ambulantes ilegais e os focos de alta de iluminação. Preferimos investir em habitação, área para a qual decidimos destinar 3% do orçamento da cidade, em 2007.


Trata-se do maior investimento já feito na cidade de São Paulo, em habitação.

Firmamos convênios com o Estado e a União para que juntos possamos investir mais. Estamos trabalhando em sintonia, de maneira que o município dá o terreno, o governo estadual constrói, e o governo federal, por intermédio da Caixa Econômica Federal, compra o imóvel e financia aos mutuários identificados pelo município.

Estamos reurbanizando as favelas de São Paulo. Isso significa transformar a favela em bairro. Estamos promovendo a retirada das construções improvisadas nas margens dos córregos poluídos. Estamos levando arruamento e saneamento básico para melhorar as condições de vida das pessoas naqueles lugares onde elas estão.
Sempre que possível, estamos também inovando na forma de construir as unidades habitacionais.

Essa é mais uma pequena grande obra. Digo pequena grande obra porque dirigida a uma população de nada menos que 3,2 milhões de pessoas. Sim nesta cidade de São Paulo, de 11 milhões de habitantes, há mais de 3 milhões vivendo em condições precárias. Poderia ser a terceira cidade do país, menor apenas que a própria São Paulo e o Rio de Janeiro.


Página atualizada em 27/09/2007 às 13h38