21/02/2020

Participe da mesa redonda sobre o Coronavírus

 

No início de 2020, a notícia de uma nova epidemia gerou preocupação mundial. Tendo como epicentro a cidade de Wuhan, na China, um “vírus misterioso” começou a circular e infectar a população rapidamente. Foi dessa forma que a sociedade foi reapresentada ao coronavírus, família de vírus que, no passado, esteve associado a epidemias graves como a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

Diante da transmissão acelerada da doença – enquanto médicos e cientistas ainda tentavam identificar o que havia de diferente neste Coronavírus –, rapidamente o assunto ganhou o mundo e os esforços em conter o avanço da epidemia virou questão de saúde pública global.

Na quinta-feira, 27 de fevereiro, a partir das 18h30, acontecerá, no auditório da Casa Metropolitana do Direito, que fica na Av. da Liberdade, 749, a mesa-redonda “Coronavírus – Análise Interdisciplinar do COVID-19”, com especialistas que vão ajudar a entender o que é o surto, como a infecção pode afetar o Brasil e ainda como se prevenir em casos de ocorrência em território nacional. Saiba mais informações do evento e inscreva-se aqui.

A virologista e docente do curso de Biomedicina da FMU de Paula Fernanda Gonçalves explica sobre o novo Coronavírus, e o Biomédico e gerente da escola de ciências da saúde do Centro Universitário FMU, Luciano Reolon, mostra, neste vídeo, como prevenir e tratar a doença.

O que é o coronavírus?

Paula Fernanda Gonçalves: São vírus de RNA, identificados em meados da década de 60, onde a maioria de pessoas infectadas são crianças pequenas. Responsáveis por causar doenças do trato respiratório como pneumonias e SARS (Síndrome respiratória aguda grave).

Como ele surgiu?

Paula Fernanda Gonçalves: Como conversamos os primeiros coronavírus foram identificados na década de 60. A maioria das pessoas se infecta durante a vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Existem quatro tipos de gêneros e acredita-se que os quatro tenham origem zoonótica e infectam animais e humanos. São eles Alpha, Beta, Gamma e delta, enquanto os gêneros Alpha e Beta são originários de morcegos, os gêneros Gamma e Delta são derivados de pools genéticos de aves e suínos. Como são vírus de RNA se recombinam com facilidade. Dada a alta ocorrência de coronavírus, a grande variedade genética e a recombinação recorrente de seus genomas, bem como o aumento de empreendimentos de interface homem-animal, é provável que novos coronavírus surjam esporadicamente em humanos devido a eventos periódicos de transbordamento e infecções comuns por espécies. Isso explica as infecções humanas de novos coronavírus, como o Coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV) em 2002 e o Coronavírus da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV) em 2012. Em dezembro de 2019, foram relatados casos de pneumonia de origem desconhecida que estavam epidemiologicamente relacionados com o comércio ao comércio de frutos do mar e animai úmidos em Wuhan (China), esse vírus foi sequenciados e identificado como um betacoronavírus nomeado pela OMS como 2019-nCoV.

Como ele se manifesta?

Paula Fernanda Gonçalves: Os sintomas são semelhantes a maioria das viroses que acometem o trato respiratório, como: febre alta, tosse seca, dificuldade de respirar, dor de cabeça, dores musculares, rinorreia. Podendo evoluir para pneumonia e SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Quais os riscos? E quais os prazos de manifestação desse vírus?

Paula Fernanda Gonçalves: É uma doença capaz de ser transmitida através do contato pessoa-pessoa, mesmo dentro do período de incubação de 3 – 14 dias, através de gotículas de saliva contendo as partículas virais. Sendo rapidamente disseminada entre a população. Dados atualizados acreditam que há mais de 100.000 casos em todos o mundo até agora.

Como se precaver?

Paula Fernanda Gonçalves: Lavar as mãos frequentemente, evitar lugares cheios e principalmente fechados, viagens longas e lugares com grande fluxo de pessoas, o consumo de animais crus ou malcozidos, utilizar máscaras ou cobrir a boca e nariz ao espirrarem ou tossirem em público. Com essas medidas conseguiremos conter essa epidemia.

Como está sendo tratado nos outros países? E no Brasil?

Paula Fernanda Gonçalves: Nos países com o maior número de casos como a China, suspenderam as viagens longas de ônibus, diminuíram o número de reuniões de massa de pessoas, na tentativa de conter a epidemia. Outros países proibiram, temporariamente, vistos de a todos os cidadãos chineses ou cidadão da província de Hubei – Wuhan (China). Outra medida seria a evacuação de cidadãos de outros países, deixando-os em quarentena por pelo menos 14 dias, permitindo assim, que os agentes de saúde possam monitorar e tentar conter a epidemia.

O governo brasileiro vem adotando medidas de preparação, orientação e controle para um possível atendimento de casos suspeitos no país. A Anvisa (Centro de Operações de Emergência (COE) – Coronavírus), instituído pelo Ministério da Saúde, esse comitê tem como objetivo preparar a rede pública de saúde para o atendimento de possíveis casos no Brasil, acredita-se que haja a suspeita de 15 casos no Brasil.

Como uma gestante pode se proteger? E uma criança? Idosos? E população em geral?

Paula Fernanda Gonçalves: A melhor forma seria evitar o contato próximo com pessoas, evitar lugares fechados e portas de entradas de pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus, como os aeroportos internacionais, a lavagem frequente das mãos com sabão e utilização de álcool, evitando também o consumo de animais crus ou mal cozidos.

Como é o tratamento?

Paula Fernanda Gonçalves: Quando aparecerem os sintomas, procurar um médico imediatamente, e como não há uma terapia antiviral, é necessário que haja o monitoramento dos sinais e sintomas.

Quando procurar um médico? Tem alguma especialidade?

Paula Fernanda Gonçalves: Com o surgimento desses sintomas, procurar um médico imediatamente. Pode ser o Clínico Geral na UBS mais próxima, ele o encaminhará para um especialista, como o Otorrinolaringologista, por exemplo.

Não é necessário que entremos em pânico, porém as boas práticas devem ser adotadas na tentativa de conter essa epidemia e a transmissão do 2019-nCov deverá reduzir drasticamente. Em breve, os cientistas encontrarão uma cura permanente para esse problema.


Página atualizada em 21/02/2020 às 15h29