06/03/2008

Palestra sobre técnica do júri empolga platéia formada por alunos do Curso de Direito da FMU

Palestra sobre técnica do júri empolga platéia formada por alunos do Curso de Direito da FMU

 

O coordenador do Curso de Direito da FMU, professor Paulo Hamilton Siqueira, fez a apresentação: a palestra da noite seria do “maior criminalista do país”. Não demorou muito para que os alunos que lotavam o auditório da Casa Metropolitana de Direito concordassem com a afirmação. Em poucos minutos o conceituado criminalista Paulo José da Costa Jr. encantou os estudantes com sua oratória brilhante e uma “atuação” esplendida.

 

Atuação, sim, porque, conforme afirmou, “o advogado tem que ser meio artista, tem que saber representar”. Não foi preciso nem consultar seu currículo excepcional: professor titular da USP, livre-docente na Universidade de Roma, títulos e ordens recebidos. Os alunos não tiravam os olhos do criminalista e da urna que carregava. Fazia parte da “atuação” na palestra sobre a Técnica do Júri para os alunos de Direito. O professor foi logo explicando: “Isto aqui é uma preciosidade. É uma velha urna dos anos 30 utilizada pelo Tribunal do Júri. Agora são dois oficiais que recolhem os votos”.

 

Embora não tenha mais utilidade, o experiente advogado fez questão de guardar a antiga urna. Com ela, explicou aos alunos como se recolhia o voto dos jurados no passado. E afirmou que na próxima edição de seu livro “Os júris de minha vida” – uma coletânea com histórias dos júris que considera os mais importantes em sua carreira – vai colocar a história da urna e da pasta do Doca Street. Foi nela, explicou o advogado, que Doca guardou a arma com que matou Ângela Diniz, um dos crimes mais polêmicos da década de 1970.

 

Algumas dessas histórias foram contadas pelo criminalista para uma platéia atenta, que se divertia com os fatos curiosos e a forma como eram narrados. As histórias exemplificavam a preocupação do advogado com os processos. Segundo afirmou, “processo penal é como mulher bonita: precisa ser afagado, namorado, momento a momento, página a página”. Foi com essa atenção, confessou o ilustre jurista, que conseguiu obter muitas vitórias no júri.

 

Sobre seus livros, perdeu a conta de quantos já publicou. “Com as reedições, são mais de 70”, garantiu. Ninguém se mexeu no auditório enquanto a palestra não terminou. Brilhante orador, o advogado discursou como num júri que envolve polêmica e paixão, emocionando a todos.

 

Sobre o palestrante:

 

Paulo José da Costa Jr. é professor titular de Direito Penal na Faculdade de Direito da USP e livre-docente da Universidade de Roma, sendo o único latino-americano a obter este título no campo do Direito.

 

Recebeu o título de doutor honoris causa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. A Ordem do Mérito da República italiana conferiu-lhe sucessivamente os títulos de Comendador, Grande Oficial e "Cavaliere di Gran Croce", o mais alto grau da Ordem.

 

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo entregou-lhe o Colar do Mérito Judiciário (2007). Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras Jurídicas (2007).

 

Recebeu, recentemente, a mais nova homenagem: a estatueta “O Escalador de Montanhas”, concedida pela Federação dos Advogados.


Página atualizada em 06/03/2008 às 14h43