27/03/2008

Ministro Márcio Thomaz Bastos diz que é preciso se construir um país mais seguro

Ministro Márcio Thomaz Bastos diz que é preciso se construir um país mais seguro


"Eu também sinto medo". Essa foi uma das declarações dadas pelo então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na palestra proferida para os alunos de Direito da FMU, em maio de 2006, quando o Estado de São Paulo sofria com ataques de facções criminosas que assustavam a população e até mesmo as autoridades responsáveis.

Na última terça-feira (25/3), novamente falando para os alunos da FMU, o agora ex-ministro reforçou que é necessário "se construir um Brasil mais seguro", quase dois anos depois da última declaração.

"Quando fui convidado para integrar o Ministério da Justiça, em 2002, sabia que teria muitos desafios, mas me julgava, modéstia à parte, preparado para esses desafios", afirmou ele, completando: "Tinha idéia do que se tinha de fazer no Ministério da Justiça para construir um país seguro. Depois do primeiro mandato do presidente Lula as bases estão lançadas".

Thomaz Bastos, que já atuou em julgamentos importantes como o do assassino do seringueiro Chico Mendes e o do cantor Lindomar Castilho, explicou, com conhecimento de causa, que o âmbito de atuação do Ministério é muito grande, já que ele engloba a pasta da Justiça, responsável pelas reformas da legislação, e a pasta do Interior, que cuida da segurança em nível nacional. "No Ministério da Justiça, se vai da tanga à toga", brincou ele. Thomaz Bastos, que também é advogado criminal, defendeu a atuação da Polícia Federal contra o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro. Ele afirmou que é preciso que o país avance na discussão do tema das penas alternativas: "No Brasil, apenas 20% dos crimes são punidos com penas alternativas", disse.

O ex-ministro declarou que apóia a unificação das Polícias Militar e Civil, mas não acredita que isso possa ser feito por meio de decretos. Por fim, o advogado deixa um importante conselho aos alunos de Direito: "Estudar Direito é fundamental, mas leiam romances. O Direito", disse o ministro, "trata da vida por fora. Os romances tratam da vida por dentro". Para ele, só através da cultura é possível sentir a realidade.


Página atualizada em 27/03/2008 às 10h00