15/09/2009

FMU promove debate entre jornalistas na 8ª ação de saúde

FMU promove debate entre jornalistas na 8ª ação de saúde



Marcelo Leite, Chico Pinheiro, Boris Casoy, José Roberto Burnier e David Uip


O terceiro painel realizado no sábado, 12 de setembro, na 8ª Ação de Saúde, organizada pelo Complexo Educacional FMU, contou com um intenso debate entre renomados jornalistas, como Boris Casoy, da Rede Bandeirantes; Chico Pinheiro e José Roberto Burnier, da Rede Globo; e Marcelo Leite, da Folha de São Paulo. Além dos jornalistas, também participou da mesa o diretor do Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas e docente da FMU, David Uip.

O tema deste painel foi “O papel da mídia na divulgação da crise da gripe A (H1N1)”. O jornalista Boris Casoy, que foi coordenador da mesa, comentou sobre a importância de se promover esse debate durante o evento e parabenizou a FMU. “A mídia tem um papel muito importante nas questões de saúde no Brasil e tem cumprido muito mal essa função no caso da gripe A. A FMU está de parabéns por promover essa Ação, que é a primeira especificamente organizada para discutir o assunto. Espero que possamos refletir e mudar algo a partir dela”, disse o jornalista.

Na mesa, apesar da seriedade do assunto, a conversa foi bem descontraída, já que os participantes são conhecidos de longa data. Os jornalistas aproveitaram a presença do professor David Uip para tirar todas as dúvidas sobre a situação da gripe A no Brasil. Também perguntaram a opinião do professor sobre a atuação da mídia.

Uip comentou a previsão de que a epidemia da gripe A volte em abril do ano que vem e comparou sua divulgação com a de algumas epidemias sazonais, como a de dengue, lembrando a possibilidade de que a vacina contra o vírus H1N1 esteja disponível no País até dezembro. “Ano que vem a situação deve ser diferente e o papel da mídia será mais uma vez muito importante para conscientizar a população”, comentou David Uip.

Entre si, os jornalistas fizeram uma autocritica e condenaram alguns aspectos do trabalho feito na divulgação da crise da gripe A. Marcelo Leite, colunista da Folha de São Paulo, analisou as divergências que se apresentaram em algumas manchetes publicadas pelo próprio jornal, e qual o impacto disso na sociedade. “Muitas vezes trocar o verbo pode, pelo verbo deve, acaba mudando totalmente a repercussão da noticia e a maneira como a população a assimila”, disse o colunista. “Às vezes, uma palavra ou outra denota um sensacionalismo desnecessário” completou.

Outro ponto bastante comentado por todos da mesa foi o despreparo de muitos profissionais da mídia. Para Chico Pinheiro, hoje os jornalistas estão mais preocupados em dar uma notícia bombástica do que de checá-la. “Hoje se tornou mais importante vender uma grande notícia antes dos outros jornais do que checar a veracidade dela.”

Para José Roberto Burnier, não é só esse desvio de valores dos jornalistas, mas também existe a pressão do veículo no qual ele trabalha. “Na televisão e no rádio, com o imediatismo pedido pelo respectivo veículo, às vezes fica difícil checar a informação, mas mesmo sem a checagem a pressão para a divulgação existe”, disse o jornalista.

Já Boris Casoy ressalta que é a ansiedade dos jornalistas que enfraquece a notícia. “É uma ansiedade que não existia no meu tempo, e isso está trazendo a informação cada vez mais fraca para o telespectador, ouvinte ou leitor, uma informação não checada, muitas vezes incompleta e nem sempre verídica”, comentou.

Ao final do debate, Burnier concluiu que se espera outra atuação da mídia para o ano que vem. “Em abril, caso haja outra epidemia da gripe A, com certeza estaremos mais preparados”, disse, aproveitando para parabenizar a ação do Complexo Educacional FMU: “A FMU está de parabéns, é ótimo uma universidade trazer tantos nomes de respeito para falar sobre esse assunto, não só nesse painel, mas em todos os outros, com a presença de vários especialistas. É um evento único para os estudantes e para a sociedade em geral”.


Página atualizada em 15/09/2009 às 15h17