13/08/2007

Ex-aluno da FMU lança livro-romance sobre sua trajetória de vida.

Ex-aluno da FMU e ex-interno da Febem lança livro-romance sobre sua trajetória de vida

Em “Brincar de Ser Feliz…”, o jornalista José Ribeiro Rocha relata fatos reais e aborda, entre outros temas, a ineficiência de programas educacionais e sociais públicos voltados à criança e ao adolescente e a maioridade penal

Descendente de índios Guarani-Kaiowá de uma aldeia de São Paulo e órfão, o jornalista José Ribeiro Rocha, formado pelas FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), viveu os primeiros 19 anos de sua vida entre um orfanato dirigido por religiosos e uma unidade da antiga Febem. Sua trajetória, contada no livro “Brincar de Ser Feliz…” (Edições Inteligentes, 541 págs., R$ 39,00), reflete o retrato infanto-juvenil do Brasil e a falta de resultados efetivos dos programas educacionais e sociais públicos.

O livro relata a infância do autor em uma instituição de administração religiosa, onde viveu o drama do abuso sexual e da violência, a luta para resistir às más escolhas e à revolta. “Viver em um ambiente hostil é estar sempre no limite. O medo tanto pode te levar adiante quanto fazê-lo regredir”, afirma Rocha, referindo-se aos amigos de infância que não tiveram a chance de estudar e trabalhar e caíram na criminalidade ou estão mortos.

Adotado por uma família quando ainda era adolescente, Rocha teve a oportunidade de estudar e formar-se em Comunicação Social com a ajuda de um programa de bolsas de estudos das FMU. Aprender as técnicas do jornalismo o incentivou a contar sua história, dividida em cinco volumes, dos quais quatro ainda inéditos. O livro-romance “Brincar de Ser Feliz…” é o primeiro da série e aborda os dez primeiros anos de vida do autor.

O cotidiano de violência de crianças e adolescentes carentes, a falta de perspectivas e de acesso às condições mínimas de cidadania e a ineficácia de programas educacionais e sociais públicos são alguns dos pontos abordados no livro. Reduzir a maioridade penal, por exemplo, é um equívoco, na opinião de Rocha. “Crimes hediondos cometidos por adolescentes devem ser analisados caso a caso. Generalizar, diminuindo a maioridade penal, julgá-los e tratá-los como adultos pode até aumentar a criminalidade”, conclui o jornalista.


Página atualizada em 13/08/2007 às 11h36