06/06/2018

Entenda a greve dos caminhoneiros

Desde o dia 21 de maio, a população brasileira acompanha a greve dos caminhoneiros, que reivindicam a carga tributária sobre o diesel (PIS, Cofins e Cide), anunciada na sexta, dia 18. Eles querem que o governo reduza essas taxas, que aumentaram devido à política de preços da Petrobrás. O coordenador dos cursos em CiênciasAtuariais, CienciasContábeis e CiênciasEconômicas da FMU | FIAM-FAAM, Edson Brito, ajuda você a entender melhor os acontecimentos.

Essa manifestação impacta diretamente toda a cadeia produtiva. No curto prazo, conforme explica o especialista, causa o desabastecimento, o que dificulta até o deslocamento do cidadão comum ao seu local de trabalho. “O transporte rodoviário responde por mais de 60% de todo volume transportado em nosso país. Esse modal é o segundo mais caro, perdendo apenas para o transporte aéreo. A paralização impede que os produtos cheguem ao seu destino final, e não vejo benefício algum para a sociedade como um todo. Pode haver alguns grupos que sejam favorecidos, temporariamente no curto prazo, como por exemplo motorista de táxi ou de aplicativos como a Uber. Sem transporte coletivo, eles podem aumentar o preço da corrida e com isso terem uma Receita maior, mas no longo prazo, com o desabastecimento, todos perdem, inclusive os caminhoneiros, que não terão Receita alguma”.

Para entender melhor

Os custos podem ser divididos em dois: custo fixo, aquele que independe do transporte (IPVA, Seguro do Caminhão, Licenciamento, Seguro obrigatório, além do preço do caminhão) e custo variável, aquele que depende do transporte (KM rodado, combustível, manutenção do veículo, troca de óleo, pastilhas, etc.). Se o custo variável aumenta, quanto mais o veículo se desloca, maior será o seu custo final. Se o preço do combustível aumenta e não há reajuste do frete, os lucros diminuem porque:

Se chegar no ponto em que a RT = CT, significa que o deslocamento é inviável, pois o caminhoneiro não terá lucro algum.

“Esse é um problema estrutural de difícil solução. Deveria ser alterado o modal de transporte, substituindo o transporte rodoviário por alternativas mais baratas, como por exemplo, transporte ferroviário ou fluvial. Porém, essa substituição não é factível no curto prazo e demanda alto investimento”, enfatiza Brito. Para ele, uma possível alternativa seria aumentar os estoques dos produtos que são consumidos pelas famílias e pelas empresas, mas isto torna-se impraticável, pois elevariam os custos. “Infelizmente, o mercado é dependente do transporte rodoviário e isso dificilmente vai se alterar. Não existe possibilidade de manobra das empresas ou dos consumidores para se precaverem de um desabastecimento”, continua.

O docente lembra que essa é a terceira crise nos últimos 30 anos (a crise no governo FHC, que envolveu a DNER, com suspeita de desvio de verbas, e a crise do combustível, na gestão Dilma). “Não fizemos o dever de casa. Deveriam ser criadas alternativas para o escoamento da produção, e diminuir a dependência do transporte rodoviário, que é mais caro, e também agride o meio ambiente”, alerta.


Página atualizada em 18/06/2018 às 13h26