11/07/2018

Atualizando informações sobre Poliomielite e Sarampo

Rosana David1

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito, que ocorre em cerca de 1% das infecções causadas pelo poliovírus. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução, frequentemente, não ultrapassa 3 dias. A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, através de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

Em 1994, a Organização Pan-americana de Saúde/OMS certificou a eliminação da transmissão autóctone do poliovírus selvagem nas Américas, após 3 anos sem circulação desse vírus no Continente. Desde então, todos os países da região assumiram o compromisso de manter altas e homogêneas coberturas vacinais, bem como uma vigilância epidemiológica ativa e sensível para identificar, imediatamente, a reintrodução do poliovírus selvagem em cada território nacional e adotar medidas de controle capazes de impedir a sua disseminação. Isso de deve porque no mundo temos ainda três países com a doença: Nigéria, Paquistão e Afeganistão. A OMS registrou em 2017 apenas 12 casos da doença no mundo.

No Brasil, o último caso de infecção pelo poliovírus selvagem ocorreu em 1989, na cidade de Souza/PB.

No Brasil (2018), o Ministério da Saúde alertou que 312 municípios estão com cobertura vacinal abaixo de 50% para a poliomielite, sendo que o recomendado é superior a 95% para não ter risco da doença. Informa ainda, que a vacinação é a única forma de prevenção da doença em especial para os menores de 5 anos de idade e que a vacina está disponível pelo SUS o ano inteiro. Uma oportunidade de atualizar a caderneta de vacinação será na próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite que acontecerá no período de 6 a 31 de agosto de 2018.

É fundamental nesse momento que os gestores locais organizem os serviços de saúde quanto ao horário de vacinação compatível com a realidade da população, possibilite o acesso à vacina em especial as regiões mais distantes dos serviços de saúde e reforço de parcerias com escolas, creches devido a proximidade com o núcleo familiar.

Outro alerta importante é que os estados e municípios mantenham os sistemas de informações atualizados e que as medidas de vigilância sejam cumpridas como monitorar a ocorrência de Paralisia Flácida Aguda em menores de 15 anos de idade.

O Ministério da Saúde reforça a responsabilidade de todos os pais e responsáveis têm a obrigação de manter a caderneta atualizada das crianças em especial de menores de 5 anos de idade.

A informação pelos meios de comunicação é de responsabilidade do Ministério da Saúde em parceria com os estados e municípios.

O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, potencialmente grave, transmissível, extremamente contagiosa e bastante comum na infância. Os principais sintomas são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas pelo corpo. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa através de secreções respiratórias.

O Brasil, em 2016, recebeu o Certificado de Eliminação do Vírus do Sarampo pela OMS, declarando a região das Américas livre do sarampo.

Atualmente o estado de Roraima notificou 37 casos suspeitos de sarampo, desses 8 casos foram confirmados por critério laboratorial, sendo procedentes da Venezuela sem comprovação vacinal, na faixa etária de 9 meses a 10 anos de idade.

A vacina é a única forma de prevenir a ocorrência do sarampo na população. Foi realizada em março de 2018, no estado de Roraima a vacinação seletiva (para quem não tomou anteriormente) contra o sarampo na faixa etária de 6 meses a 49 anos para a população e imigrantes venezuelanos.

Observamos que para evitarmos o risco da reintrodução da poliomielite e sarampo no nosso meio, além das medidas citadas acima são fundamentais: a continuidade das vacinas nos serviços de saúde do SUS, capacitação dos profissionais de saúde, informação à população quanto à importância da vacinação e continuidade das medidas de vigilância epidemiológica.

Referências Bibliográficas

  • Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Disponível em:

http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/43797-ministerio-da-saude-alerta-para-baixas-coberturas-vacinais-para-polio Acesso em: 7 de jul, 2018.

  • Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde. volume único (recurso eletrônico)/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. – 2. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 705p.
  • Ministério da Saúde. Coordenação-Geral de Doenças Transmissíveis. NOTA INFORMATIVA Nº 57/2018-CGDT/DEVIT/SVS/MS. Disponível em:

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/marco/07/NOTA-INFORMATIVA-N-57-2018-sarampo-Roraima.pdf Acesso em: 7 de jul, 2018.

 

1 Docente do Curso de Graduação em Enfermagem das Faculdades Metropolitanas Unidas. Mestre em Saúde Coletiva pela EEUSP.


Página atualizada em 11/07/2018 às 20h07