27 de agosto

Quem tem medo do ENADE?

Quem tem medo do ENADE?


 
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes Egressos do Ensino Superior (ENADE) é uma avaliação relevante para a aferição do nível dos alunos egressos do Sistema Brasileiro de Educação Superior.

Embora o Exame implantado em 2004, em substituição ao PROVÃO, traga na sua concepção e aplicação equívocos que necessitam ser corrigidos, é o único instrumento de avaliação nacional que permite aferir a qualidade dos alunos formados pelas nossas instituições de ensino superior.

Deve ser ressaltado que o MEC tem procurado aperfeiçoá-lo, e um exemplo desta preocupação é o cancelamento neste ano do sistema de amostragem, passando a aplicar a prova a todos os estudantes formados. Essa, aliás, era uma das reivindicações das universidades estaduais paulistas. Portanto, é estranha a persistência da USP e da Unicamp em não participarem do ENADE.

Outra razão apontada pela USP para a não inclusão dos seus egressos no ENADE é a dificuldade em identificar o “boicote” por partes dos alunos, situação esta também questionada por outras IES públicas e privadas, o que não impede os resultados obtidos pelas mesmas, quando corretamente analisados, de servirem para aprimorar os seus programas de graduação.

Em razão da qualidade das estaduais paulistas (UNESP, USP e Unicamp), a participação das mesmas é importante para a consolidação do Exame e parâmetro imprescindível para comparar o desempenho dos egressos no sistema.
O prestígio da USP é alicerçado na qualificação e dedicação dos seus docentes, na produção científica, na sua pós-graduação e nos projetos de extensão universitária que desenvolve. A real qualidade dos profissionais formados na graduação tem sido objeto de reparos de segmentos importantes da Academia e da Sociedade. Ao não participarem do ENADE, as universidades perdem a oportunidade de ter um parâmetro a mais para aferir a qualidade dos seus cursos de graduação.

Uma avaliação isenta e abrangente é imprescindível para promover a qualidade dos profissionais egressos de nossas universidades. Uma ideia que defendemos há tempos para aprimorar o sistema de avaliação, seria, garantindo a universalização do ENEM, confrontar os seus resultados com os obtidos no ENADE por alunos de uma mesma instituição. Esse confronto de notas poderá ser um indicador confiável do valor agregadopelos cursos de graduação das instituições de ensino superior à formação de seus alunos. É uma proposta factível e interessante, que pode determinar um avanço no indispensável processo de avaliação do ensino superior brasileiro. Deve ser ressaltado que os resultados do ENADE têm orientado a sociedade na escolha dos cursos de graduação oferecidos aos egressos do ensino médio. Fato este que reforça a importância da participação no exame das universidades brasileiras de qualidade e prestígio.

Arthur Roquete de Macedo
Presidente do Instituto Metropolitano da Saúde – IMS / FMU