13 de outubro

Livro que conta a relação entre as Américas e o III Reich será lançado na FMU

Livro que conta a relação entre as Américas e
o III Reich será lançado na FMU 

A segunda guerra mundial foi a maior catástrofe provocada pelo homem ao longo de sua história moderna. Durou de 1939 a 1945, envolveu setenta e duas nações e foi travada em todos os continentes (direta ou indiretamente). O número de mortos superou os 50 milhões, com mais 28 milhões de mutilados.

É difícil calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados, devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos (bombardeios aéreos, torturas, fome e medo permanente). Outra de suas características, talvez a mais brutal, foi a supressão da diferença entre aqueles que combatem no fronte e a população civil na retaguarda. Nenhum dos envolvidos selecionou seus objetivos militares excluindo os civis.

O custo da segunda guerra ultrapassou a marca de 1,5 trilhão de dólares, quantia que, se investida no combate da miséria humana, a teria suprimido da face da terra. Aproximadamente 110 milhões de homens e mulheres foram mobilizados, dos quais apenas 30% não sofreram morte ou ferimento.

Essas e outras questões são abordadas pelo jornalista Roberto Lopes no livro Missão no Reich – Glória e covardia dos diplomatas latino-americanos na Alemanha de Hitler (Odisséia Editorial). A obra é resultado de uma pesquisa de mais de 20 anos em 11 países, que resgata o comportamento dos diplomatas das Américas do Sul e Central e do Caribe em Berlim e outras capitais européias durante o período do nazifascismo. Entre as revelações está a de que um cônsul brasileiro em Munique tentou trazer Hitler ao Brasil no ano de 1928.

O livro será lançado no curso de Relações Internacionais da FMU, no dia 30 de outubro, às 19h30, no auditório Ulysses Guimarães (Reitoria). O jornal Folha de S.Paulo confirmou presença para cobrir o evento.

A obra revela a relação de amor e ódio entre as Américas e o III Reich. O cenário é a Europa entre as duas grandes guerras. De um lado, diplomatas de toda a América Latina radicados no velho continente enviavam cartas para seus governos, fascinados com o surgimento de regimes totalitários, com a organização desses governos e com a impressionante recuperação econômica, especialmente da Alemanha, após um período de devastação.

Do outro, partidários do nazismo e do fascismo, em demonstrações de que consideravam os representantes daquela distante porção pobre da América cidadãos de, no mínimo, quinta categoria, espancavam diplomatas, os ridicularizavam e os menosprezavam em eventos oficiais.

Essas histórias de admiração não correspondida da diplomacia latino-americana pelos regimes de Adolf Hitler e Benito Mussolini – praticamente desconhecidas até mesmo pelos historiadores, mas que ajudam a compreender o comportamento das chancelarias latino-americanas naquele período – são temas recorrentes do livro.