24 de novembro

FMU recebe Ministro Marco Aurélio Mello para inauguração de sala de aula

FMU recebe Ministro Marco Aurélio Mello para inauguração de sala de aula

“A educação é a senha única para a sobrevivência da humanidade enquanto espécie e do planeta como seu habitat”. Com essas palavras, o Ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello contextualizou o papel que o Complexo Educacional FMU exerce na sociedade. O magistrado esteve na instituição para uma homenagem com uma sala de aula do curso de Direito que leva seu nome.

A inauguração da sala de aula aconteceu às 11h do dia 24 de novembro, na Casa Metropolitana do Direito da FMU e contou com as presenças do Presidente da Mantenedora, Prof. Edevaldo Alves da Silva, da Reitora da FMU, Labibi Elias Alves da Silva, da assessora pedagógica da FMU, Mônica Serra, do Vice-Reitor da FMU, Arthur Sperandéo, do Dr. Edson Elias Alves da Silva, Pró-Reitor de Extensão Comunitária, do Dr. Eduardo Alves da Silva, Pró-Reitor de Graduação, e do Prof. Paulo Hamilton, coordenador do curso de Direito.

O evento contou também com as presenças do Presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues, e do Prof. Dr. Arthur Roquete de Macedo, presidente do Instituto Metropolitano da Saúde (IMS) da FMU, além de membros da comunidade acadêmica, entre docentes e discentes.

“É uma honra, para mim, ter uma sala de aula com o meu nome. Não há nada mais gratificante para um homem público o reconhecimento do trabalho prestado. Tenho um carinho enorme pelo Professor Edevaldo, que é meu irmão de sentimento”, comentou o ministro Mello.

O Prof. Paulo Hamilton aproveitou a ocasião e levou o ministro a uma sala de aula do Direito para uma palavrinha entre o magistrado e os alunos. A nova sala de aula será destinada inicialmente aos alunos do curso de mestrado em Direito na Sociedade da Informação. Confira, abaixo, o discurso na íntegra do Ministro Marco Aurélio Mello e as fotos do encontro.
 

Data: 24 de novembro de 2008

Senhores,

Neste País de dimensões continentais, cujo povo, desde os primórdios da formação da Nação brasileira, trava batalhas diárias para saciar as necessidades mais básicas, como moradia, alimentação, saúde e segurança, o acesso ao ensino surge quase com objeto de luxo. Não exagero ao lembrar a via-crúcis enfrentada por milhares de pais que, por longos dias e noites, acampam na rua, formando vergonhosa fila de espera por uma vaga para seus filhos em estabelecimento de ensino público. Cena degradante repetida todos os anos. E tão difícil quanto realizar a sonhada matrícula é a tarefa de manter as crianças e jovens na escola.

A penúria imposta ao cidadão pelo descontrole estatal no uso das vultosas somas arrecadadas a título de impostos termina, incontáveis vezes, por mandá-los de volta a casa ou, pior, às ruas, a fim de ajudarem na manutenção da família ou no cuidado de irmãos menores. Em conseqüência, todo aquele que consegue trilhar por inteiro o processo de desenvolvimento intelectual institucionalizado, cursando as etapas fundamental, média e superior, é considerado integrante da casta diferenciada, a chamada “elite”, quando deveria tão-somente compor o contingente de indivíduos que lograram do Estado a prestação educacional a que têm jus.

Entretanto, felizmente, todas as moedas possuem dois lados. Da dificuldade surge a superação. Às mazelas do ensino no Brasil vêm sendo mitigada pelo idealismo de homens do escol do Professor Edevaldo Alves da Silva, aqui presente. Sua concepção altruísta de ensino, como meio de transmissão do conhecimento, do indispensável movimento rumo à evolução humana, é pautada na distribuição isonômica de oportunidades.

À frente do grupo educacional FMU, à frente do IMAE, com acurada visão administrativa, fez da empresa instrumento realizador de inserção social, sempre dedicando atenção aos menos afortunados, como o foi no início da vida, implementando bolsas de estudo, promovendo a formalização de atos viabilizadores da permanência das matrículas, da realização de uma quase utopia – lutar para crescer, em que pesem os obstáculos. Na vida, desde muito cedo, sonhou e ousou. Hoje repassa esse iluminado modo de existir. Que o Estado não seja míope, presente a certeza de ser o exemplo marcante no cenário nacional e em especial junto aos seus mais diretos seguidores – Dr. Eduardo e Edson Alves da Silva.

Honra-me muitíssimo, portanto, estar ligado a esta casa. E digo isso porque o nome revela, de forma personalíssima, a identidade e a obra de cada qual, particularizando-lhe a trajetória e o legado deixado às gerações futuras. O apreço demonstrado neste gesto de simbologia maior, perpetuando o meu nome com a designação de sala destinada aos estudantes do Curso de Mestrado em Direito na Sociedade da Informação, é grandemente significativo. À uma, porque sempre visei e incentivei alunos, filhos e colaboradores a buscarem o constante aperfeiçoamento pessoal e profissional. As duas, porquanto materializa, serve de marco à celebração dos trinta anos de magistratura em colegiado, que completei este mês, algo realmente espantoso, considerado o jovem imberbe que um dia se imaginou engenheiro.

A sedução desafiadora da Justiça – um dos valores mais caros da Humanidade – venceu o fascínio das habilidades puramente técnicas e o aprendiz de advogado muito cedo viu-se envolvido pela absorvente missão de julgar os próprios semelhantes. Assim é que, em 6 de novembro de 1978, tomei posse no cargo de Juiz Togado do Tribunal Regional do Trabalho da 1º Região, com sede na cidade do Rio de Janeiro.

A magistratura é árdua tarefa que consiste, em última instância, num compromisso diário com os próprios valores, numa renovação cotidiana, inafastável, dos votos de fidelidade à própria consciência.

Nestes trinta anos, vi minha querida Justiça do Trabalho reinaugurar-se, à mercê de uma nova e legítima ordem constitucional que expungiu a obsoleta representação classista. Ministro do Supremo Tribunal Federal pude constatar a clara opção do povo brasileiro pela democracia, pelo Estado de Direito, reafirmada ano após ano mediante eleições ultramodernas, viabilizadas por um sistema eletrônico inovador, genuinamente nacional, que tive a honra de fazer valer nas eleições municipais de 1996. Pouco depois, comprovei, entusiasmado, estreitarem-se os laços entre o Judiciário e os cidadãos mediante a transparência proporcionada pelo funcionamento diuturno da TV Justiça, cuja lei de criação, ante visão republicana desse grande varão – o Professor Fernando Henrique Cardoso -, tive a oportunidade de sancionar como Presidente da República em exercício.

Talvez até para amenizar as tribulações advindas do reservado mister de julgar, nestes trinta anos conjuguei a magistratura com outro ofício menos solitário, todavia igualmente difícil – o magistério -, atuação na qual conquistei alguns dos mais admirados e queridos amigos. Na via de mão dupla em que transitam, mútua e concomitantemente, o ensinar e o aprender, a convicção que sempre me moveu e até hoje me entusiasma é a de ser a educação a senha única de sobrevivência da humanidade enquanto espécie e do planeta como seu habitat.

Mais do que profissões, magistério e magistratura são inexcendíveis sacerdócios, opção de vida à igual me dedico todos os dias, incluídos os fins de semana. A cruel quantidade de processos aguardando análise jamais arrefeceu meu ânimo de prestar a melhor jurisdição àqueles que, cientes da impossibilidade de auto-tutela, confiam ao Estado a solução da controvérsia que lhes abala a tranqüilidade.

Termino, tomado de grande emoção, renovando agradecimentos a esse verdadeiro irmão de sentimentos e objetivos, o Professor Edevaldo Alves da Silva, às Metropolitanas, ao Imae, aos que atuaram para a concretização dessa homenagem e aos demais presentes.               

A todos, minha sincera gratidão.

Muito Obrigado…

Discurso do Ministro Marco Aurélio Mello durante inauguração de sala de aula do Direito que leva seu nome